em diploma do PCP
Defesa firme<br>da produção nacional
A criação de mecanismos de reestruturação de crédito constitui uma das recomendações ao Governo presentes em projecto de resolução do PCP aprovado recentemente, em cinco dos seus sete pontos, pelo Parlamento.
Portugal não pode aceitar que lhe seja negado o direito a produzir e à soberania alimentar
LUSA
Trata-se, com esta medida concreta, de ajudar a superar as dificuldades financeiras do sector da suinicultura e a responder às necessidades urgentes das explorações,
Já chumbados neste diploma – com os votos contra de PS, CDS e PAN, a abstenção do PSD e os votos favoráveis das restantes bancadas –, foram os pontos onde se preconizava uma intervenção do Executivo junto da União Europeia para a definição de mecanismos que permitam ao nosso País defender a sua produção de carne suína, face à entrada de produtos estrangeiros, e, por outro lado, a criação ou retoma de apoios à produção por forma a reduzir os custos de produção. Inviabilizada com a mesma votação foi ainda a alínea de um dos pontos aprovados (aquele onde se apelava a uma intervenção junto da comercialização, nomeadamente junto da grande distribuição) no qual se defendia a tomada de medidas para a venda preferencial da carne portuguesa sobretudo na grande distribuição.
Ruína
Num debate onde foi notório o propósito de endossar culpas para o presente por parte das bancadas da direita, ignorando responsabilidades próprias passadas, coube ao deputado comunista João Ramos assinalar que as dificuldades e problemas que o sector atravessa não são de agora e que o governo anterior o que fez foi ignorá-los.
À cabeça está sobretudo o problema dos elevados custos de produção – dos mais elevados da União Europeia – e os baixos preços pagos à produção, inclusive abaixo dos custos de produção. «Por cada quilo de carne, por cada litro de leite vendido, os produtores estão a perder dinheiro e esta situação não se aguenta por muito tempo», advertiu o deputado do PCP.
Indo às causas para a situação aflitiva destes sectores, não obstante serem dos «mais organizados e modernos da Europa», João Ramos apontou como principal factor a liberalização num mercado onde os nossos produtores, por diversos motivos, têm menores hipótese de competir.
Recusou, porém, que ao País possa ser negado o direito a ter sectores produtivos, qual preço que os defensores do liberalismo dizem ser o que há a «pagar por integrar um mercado de milhões de consumidores e que oferece oportunidades de negócio».
A este respeito, lembrou, aliás, que o mercado liberalizado, infelizmente para o País, tem sido uma grande oportunidade de negócio mas é para a entrada de produtos estrangeiros, ao mesmo tempo que vão encerrando as nossas explorações.
E pondo o dedo na ferida, fez notar que os problemas dos sectores produtivos, afinal, são o espelho das «limitações que a União Europeia e as regras da União Europeia colocam ao desenvolvimento do País». Por outras palavras, «ao seu direito a produzir e à sua soberania, nomeadamente alimentar».